Desfile das Campeãs: escolas entram novamente na Sapucaí em noite marcada por críticas aos jurados e público fiel ao Mestre Ciça
Sapucaí no desfile das campeãs Rafael Nascimento/g1 O desfile das campeãs do Carnaval do Rio 2026 realizado neste sábado (21), recebeu as seis mais bem colo...
Sapucaí no desfile das campeãs Rafael Nascimento/g1 O desfile das campeãs do Carnaval do Rio 2026 realizado neste sábado (21), recebeu as seis mais bem colocadas do Grupo Especial em uma noite marcada por críticas aos jurados que decidiram a classificação das agremiações. A ordem é inversa à classificação. Quem abriu a festa foi a Estação Primeira de Mangueira, sexta colocada. A grande campeã, a Unidos do Viradouro, fechou a madrugada, começando o desfile depois das 5h, com o dia já amanhecendo. Mas o horário não foi motivo para o público ir embora. Com todos os setores lotados, a Marquês de Sapucaí não esvaziou até que terminasse o enredo em homenagem ao mestre Ciça. Veja os destaques de cada escola: Mangueira Desfile das Campeãs - Mangueira Rafael Nascimento/g1 Primeira a desfilar no sábado (21) das campeãs, a verde e rosa passou pela Marquês de Sapucaí debaixo de uma chuva fraca. Horas antes, um temporal caiu sobre o Rio de Janeiro. “A Estação Primeira de Mangueira manifesta todo o apoio ao nosso casal furacão. Mangueira em defesa da dança ancestral”, dizia um cartaz atrás do casal de mestre-sala e porta-bandeira Matheus Olivério e Cyntia Santos. Nos quesitos, a Mangueira perdeu 0,2 em Comissão de Frente, assinada pelos coreógrafos Karina Dias e Lucas Maciel; 0,2 com o primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Matheus Olivério e Cyntia Santos; 0,2 em Enredo; e 0,2 em Samba-enredo. A soma desses décimos afastou a escola das primeiras posições. Ao g1, vice-presidente da Estação Primeira de Mangueira é Moacyr Barreto, também fez críticas aos jurados. "Entregamos um belíssimo enredo. Mas, infelizmente, algumas coisas os jurados não entenderam. Mas faz parte do jogo e a gente vai voltar aqui o ano que vem para fazer o melhor”, disse Barreto, que seguiu: “A Mangueira não concorda com a nota do nosso casal (de mestre-sala e porta-bandeira). Eles fizeram uma brilhante apresentação e uma turismóloga veio dizer que faltou força, alguma coisa sei lá. Outro veio dizer que a bateria faltou uma bossa mais elaborada. Desculpas, não tem condição a gente fez uma bosta que eu desafio as outras baterias fazerem. Mas, para 2027 podem esperar um carnaval melhor”. O desfile das campeãs acontece amanhã na Sapucaí Imperatriz Leopoldinense Desfile das Campeãs - Imperatriz Leopoldinense Rafael Nascimento/g1 A segunda a desfilar foi a Imperatriz Leopoldinense. No carnaval deste ano, o grande protagonista da verde e branco de Ramos foi o cantor Ney Matogrosso, de 84 anos, com o tema “Camaleônico”. No entanto, a agremiação ficou em quinto lugar. Nesta sexta (20), a escola anunciou a renovação do intérprete Pitty de Menezes e do mestre Lolo. Ao g1, Pitty disse que “é hora de acertar o que precisa ser acertado”. “Sempre bom estar no meio das campeãs. (Mas) É lógico que a gente queria ganhar, mas não deu para ganhar. Mas, a Viradouro teve seu mérito em ganhar esse campeonato. Foi um sambista que ganhou. Isso é muito importante. Agora, é hora de acertar as coisas que a gente errou. A presidente (Cátia Drumond) já está acertando as coisas onde a gente precisava acertar e agora é focar em 2027”, disse Pitty. Já o carnavalesco Leandro Viera — que foi campeão na Série Ouro com a União de Maricá — afirmou que não escolheu em qual das duas agremiações ficará no próximo carnaval. “A gente está encerrando o carnaval de 2026, estamos encerrando hoje. O futuro ele de conversa que só acontece depois que o carnaval acaba. Meu carnaval acaba hoje. A partir de então, a gente pode conversar e pode resolver as questões. Ainda não sei (onde ficar). Não sei se será na Imperatriz ou na Maricá. Ninguém está querendo tirar o pai da forca não. Não tem necessidade disso. Vamos conversar”, disse Vieira. Por sua vez, a cantora Iza não descarta permanecer como rainha de bateria da escola de Ramos. “O que a minha escola quiser, eu quero também”, disse. Iza ainda aproveitou para criticar os pontos pedidos pela escola. “A gente sempre acha que pode ser melhor. Mas, alguns décimos, algumas coisas, que acabaram sendo tiradas a gente sempre acaba contestando. Mas acho que faz parte da brincadeira, faz parte do espetáculo. Eu estou muito feliz de estar fazendo parte desse momento de poder voltar”, disse. Salgueiro Salgueiro em desfile no Sábado das Campeãs Rafael Nascimento/g1 A terceira a passar pela Marques de Sapucaí, já no início da madrugada de domingo foi o Salgueiro. Neste ano, a vermelho e branco foi a 4ª colocada ao homenagear a carnavalesco Rosa Magalhães com o tema "A delirante jornada carnavalesca da professora que não tinha medo de bruxa, de bacalhau e nem do pirata da perna-de-pau". Guilherme Oliveira, um dos mestres de bateria do Salgueiro, destacou que estava feliz com o quarto lugar da escola. Ele destacou que a agremiação fez um carnaval para ganhar. “A gente buscou o primeiro lugar. O Salgueiro brigou pelo título até o final. Fizemos um desfile campeão, independente da Viradouro ter ganho. Eu fico muito feliz pelo Ciça, que é um mestre de bateria como eu. Mas, o Salgueiro fez um desfile de campeão. Ninguém acreditava. Tinha gente botando o Salgueiro em 10º lugar. Falando que o Salgueiro ia cair. Mar, o Salgueiro mostrou a força da comunidade, a força do que é um trabalho bem feito, um trabalho bem executado, um trabalho bem-planejado”, disse. Já André Vaz, criticou as notas que os jurados deram para a escola. “A gente fez um desfile de para disputar o título. Até o último quesito a gente tava a um décimo atrás da Viradouro. E eu achava que essa posição tinha que ser mantida no samba enredo. Não consigo entender porque o samba a mais cantado na Marquês de Sapucaí foi punido.”, disse Vaz, que seguiu “O Salgueiro perdeu décimos em alegoria. Beleza, se ele viu que a gente errou, teve escola que errou e que não foi punida. É isso que a gente quer: se errou pune. Agora, o que queremos é que quem erre seja punido. Não apenas o Salgueiro. Agora, no contexto geral, vamos comemorar foi um desfile maravilhoso”. Vila Isabel Vila Isabel no desfile das campeãs Rafael Nascimento/g1 Pouco depois das 2h10, a Vila Isabel passou pela Marquês de Sapucaí. Neste ano, a escola de Noel buscou o quarto título com um enredo em tributo ao multiartista Heitor dos Prazeres e sua relação com a cultura afro-brasileira. No entanto, ficou em terceiro lugar. Ao contrário de outros dirigentes que reclamaram de penalidades, Luiz Guimarães, filho do contraventor Aílton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, que preside a escola, afirmou que avaliava as punições da Vila “de forma muito realista” e que a agremiação “foi punida de forma correta”. “De fato, a nossa evolução no fato da harmonia, do canto, foi impactado com relação às fantasias um pouco pesadas. E acho que isso impactou um pouco na harmonia da escola, pelo calor que estava no dia também. Mas, vamos continuar trabalhando, porque estamos no caminho certo. Ganha vai ser questão de tempo”, afirmou Luiz Guimarães. Por sua vez, a rainha de bateria da escola, a apresentadora Sabrina Sato, lembrou que a Vila ficou apenas com 0,1 de diferença. Sabrina Sato no desfile das campeãs Rafael Nascimento/g1 A Beija-Flor de Nilópolis ficou com o vice, com 269,9 pontos, a 0,1 ponto da Viradouro. A Vila Isabel também somou 269,9 pontos, mas terminou em 3º no critério de desempate, o quesito Harmonia. “Foi lindo. Eu achava que seríamos campeões. Eu sentido essa energia. Mas, valeu. Terceiro também é bom”, brincou Sabrina, que, após o desfile, voou para São Paulo onde desfilará pela Gaviões da Fiel. Beija-Flor Componentes da Beija-Flor usam faixa de “vice-campeã 2026” Rafael Nascimento/g1 Vice-campeã do carnaval, a Beija-Flor foi a penúltima a desfilar já no domingo. Neste ano, a escola de Nilópolis levou à Avenida “Bembé do Mercado”, o maior candomblé de rua do mundo, localizado na cidade de Santo Amaro, na Bahia. Jéssica Martin, intérprete da escola, destacou-se como única puxadora feminina do Grupo Especial do Carnaval do Rio de 2026, vencendo a categoria Revelação do Estandarte de Ouro. Ela disse que “estava feliz e realizada”. Mas, que num primeiro momento ficou triste por a escola não terem sido bi-campeã. “Num primeiro momento ficamos chateados e tristes, lógico. Porque, ninguém quer perder, todo mundo quer ser campeão. Mas, a gente ficou muito feliz porque fomos vice-campeã para o Ciça. Eles fizeram um enredo lindo, emocionante, maravilhoso. E nada mais justo ter um sambista como vencedor. Mas, vamos preparar um belo carnaval para 2027”. Assim que a Beija-Flor entrou na Avenida, uma cena chamou a atenção: mestre Ciça — enredo da Viradouro — foi ao lado da bateria da Beija-Flor. “É uma alegria estar aqui”, disse Ciça. Mestre Ciça ao lado da Beija-Flor Rafael Nascimento/g1 Unidos do Viradouro Unidos do Viradouro no desfile das campeãs Rafael Nascimento/g1 Era pouco depois das 5h de domingo quando a campeã do carnaval entrou na Avenida. Com todos os setores lotados, o público não arredou o pé da Marquês de Sapucaí para ver mestre Ciça sendo homenageado pela Unidos do Viradouro. Rainha de bateria da escola, a atriz Juliana Paes se emocionou ao falar do amigo, Moacyr Silva Pinto é um dos nomes mais respeitados da bateria no carnaval carioca — que a chamou para retornar à agremiação no ano em que ele foi enredo. “Hoje é só gratidão. Estou relaxada e quero retribuir todo o amor que a gente recebeu. Quando a gente entrou nessa Avenida, a gente só tinha uma certeza: de que amávamos muito o Ciça. A gente apostou com coragem em um enredo vivo e valeu a pena. E eu estou muito grata de fazer parte dessa história com a Viradouro”, disse Juliana. “Eu sou uma súdita, sou uma coadjuvante nessa história. E eu estou muito grata de fazer parte disso. Rainha de bateria não, eu estou ao lado dele. Eu eu sou súdita”, completou. Marcelinho Calil, presidente da Viradouro, contou que trazer Ciça para a Avenida deu sorte para a escola de Niterói. “Eu posso dizer que fiquei realizado no Carnaval. Independente de futuro, ele nos deu sorte. Ele tem carisma, tem estrela, tem sorte e aliado a isso a competência de uma escola competitiva. Agora, você conseguir juntar isso com o que aconteceu aqui, é essa receita imbatível. E agora é celebrar a história de quem deu a vida e dá a vida pelo carnaval. E nada mais justo do que a gente dá a ele esse prêmio”, disse. Tarcísio Zanon, carnavalesco da Viradouro Rafael Nascimento/g1